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  Projeto Haiti

Coordenador: Federico Neiburg

O "Projeto Haiti", lançado em 2007, visa realizar uma pesquisa sobre a configuração do espaço nacional haitiano. Interessa mostrar como o Haiti é um universo privilegiado para construir um modelo mais geral para a compreensão da estruturação dos espaços nacionais no mundo contemporâneo que considere: o caráter constitutivo dos laços entre a dimensão nacional e internacional da vida social, as relações entre os processos de localização, nacionalização e transnacionalização; os vínculos entre o mundo rural e urbano; e a gênese social do quadro conceitual e dos sentidos sociais associados com os universos nacionais. A etnografia, a perspectiva histórica e o comparatismo são os instrumentos principais da pesquisa. O projeto possui quatro eixos: 1) a organização social dos mercados (considerando os circuitos e os fluxos de objetos e moedas), 2) as configurações familiares (observando a circulação de pessoas no âmbito nacional e internacional e as dinâmicas de alianças e distinções), 3) o universo da cooperação internacional (focalizando no caso norte-americano [USAID], e brasileiro [ABC]), e 4) as formas de representar a história e a cultura nacional tanto nos âmbitos eruditos como ordinários (nas interações ocorridas no dia a dia). A pesquisa é desenvolvida prioritariamente em alguns bairros da zona central da capital, Port-au-Prince, na região de Jacmel, no sul do país, e na região de Cap-Haïtien, no norte. A equipe está conformada por pesquisadores senior, pós-doutorandos, doutorandos, mestrandos e bolsistas de iniciação cientifica. A equipe conta ainda com a participação de alunos da Faculdade de Etnologia da Universidade do Estado de Haiti.

As pesquisas situam-se no contexto das intensas relações que o Brasil e o Haiti mantêm desde 2004, quando o nosso país passou a comandar a Missão das Nações Unidas para a Estabilização de Haiti (MINUSTAH). De fato, a presença da equipe no Haiti faz parte dos fluxos e relações que são objeto da investigação, junto a outras presenças brasileiras como a militar e a humanitária. Isso transforma a pesquisa em um laboratório transnacional de reflexão sobre as condições nacionais e internacionais da realização da própria pesquisa.

O projeto decorre de uma intensa experiência que vem sendo desenvolvida há três anos com apoio do CNPq, da FAPERJ, da FAPESP, da FAEPEX (Unicamp), do MEC e do Itamaraty. Da mesma participam dois grupos sediados nos Programas de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional (UFRJ) e da Unicamp. O grupo do Museu Nacional vem trabalhando consistentemente em Port-au-Prince e em Jacmel, o grupo da UNICAMP em Port-au-Prince e em Cap-Haïtian. As ações da equipe estão associadas (e contribuem para a consolidação) do Institut Interuniversitaire de Recherche et de Développement (INURED), criado em Port-au-Prince, em 2007. Assim, além da produção de conhecimento substantivo sobre a formação nacional haitiana e de contribuir para o desenvolvimento de modelos de compreensão etnográficos e históricos sobre a questão nacional, o projeto promove uma singular experiência transnacional e coletiva de pesquisa, de formação de jovens pesquisadores e de construção institucional.